sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

1997-2010: o que mudou?

Ontem a noite rolou mais um ensaio do Fucabala, foi bem legal, ensaiamos músicas próprias novas, covers novos, enfim... estamos preparando o repertório do próximo show.

Não sei por que, mas depois fiquei pensando em como eram os ensaios das minhas bandas na época que eu comecei a tocar, lá por 1997. Na verdade, não só os ensaios, mas a tudo que envolvia essa história de ter uma banda a quase 15 anos atrás.

Minha primeira banda chamava-se No Pride, era eu, meu irmão Zé, meu melhor amigo do colégio na época Meleca e seu primo Boxexa, que tocou na Dellamarck e hoje toca na Gizmo. O engraçado é que já ensaiávamos antes mesmo de termos instrumentos, no quintal de casa! Quer dizer, tinha uma guitarra, um amplificador de 5 watts e uma bateria que eu construi com latas de tinta e baldes de cloro. Essa "bateria" foi destruída logo que comprei uma bateria de verdade, inspirado no Nirvana. Me senti O CARA imitando o Kurt, Dave e cia. quebrando seus instrumentos!

Banda Neck in Rope (1998)

Na época, meu pai cedeu o sótão de casa pra gente usar pra tocar. Fizemos um "mutirão" pra limpar o local, passamos algumas semanas recolhendo caixas de ovos nos supermercados para fazer um isolamento acústico e lá minhas bandas ensaiaram até 2001, por aí. O interessante é que nesse sótão, só ficava em pé pessoas de no máximo 1,75m. E dá-lhe ensaio, com os microfones de karaokê ligados nas pontentes caixas Ciclotron Wattsom!

Banda Fake, no sótão (2001)

E as gravações? Gravávamos os ensaios em fita cassete, naqueles gravadores antigos. A primeira banda minha que gravou num estúdio (o famoso estúdio do Roque, dos mullets) foi a Zero Kelvin em 1998. Gravado ao vivo mesmo, direto na fita. O curioso é que quando a gente errava, tinha que voltar a fita pra "por no ponto" e gravar por cima! Eu queria MUITO achar essa fita! Em 1999 gravei pela primeira vez em CD, com outra banda, a Solafno, no Estúdio Cambucá. Na época, ninguém tinha gravador de CD. Saíamos com um CD-Master do estúdio e pagávamos R$7,00 (lembro até hoje!) por cada cópia adicional do CD!

Era num gravador desses que registrávamos os ensaios!

Banda Zero Kelvin (1998)

Show mesmo quase não tinha. A gente mesmo "organizava", em qualquer lugar, ou aceitávamos TODOS os convites. Lembro de alguns clássicos: um na rua, o palco era a calçada. Outro com Zero Kelvin e Nenpb, num gramado do prédio do Meleca (esse tenho filmado inteiro, mas em mini-fita VHS, na época a coisa mais moderna do mundo). Tem outro histórico, da Solafno na Pró-Menor. Só tinha crianças pedindo pagode, e a gente tocando Raimundos! O vocalista Samuka (hoje dono da lanchonete Senhor Salsicha) ficou puto e mostrou a bunda pras crianças (!) e mandou todos irem ver pagode no Mercado Público! O primeiro show mesmo, de verdade que fiz foi com a Solafno, no Heaven Rock Bar, no Estreito. Tocaram também as bandas Elder Dragon e Wine Revenge.

Banda Solafno, ao vivo da (ex) ETFSC (1999)

Cartaz de 2001, feito de colagem de revista.


Hoje em dia as coisas mudaram e ficaram muito mais fáceis. Por um lado é bom, pois hoje ensaiar, gravar e fazer shows ficou muito mais acessível. A internet tornou fácil a divulgação das bandas e, tocar no rádio e tv se tornou uma realidade muito próxima. Quando comecei, era SURREAL pensar que um dia, uma banda minha tocaria numa rádio, ou abriria o show de uma banda gringa. Por outro lado, como tudo ficou mais fácil,  me parece que as bandas ficaram meio "folgadas", gravam algumas músicas, conseguem meia-dúzia de seguidores do twitter (ou amigos no Orkut, ou comentários no Fotolog) e já se acham famosas. Já querem produtores, roadies, groupies... outra consequência é o excesso de bandas, o que faz com que se nivele por baixo e que boas bandas percam oportunidades. E esse excesso de bandas fez aparecer a máfia da venda de vagas em shows. Explico: existem muitas bandas, muitas mesmo. Algumas delas, tendo dinheiro, começaram a "patrocinar" eventos, dando dinheiro em troca da sua participação. Hoje, as bandas nascem achando isso normal. Mas isso faz com que bandas boas que merecem um espaço percam seu lugar para bandas que,  muitas vezes são medíocres, mas que tem grana pra "subornar" produtores. Nunca esqueço o dia que convidaram o Musicbox Superhero para abrir o show do The Used, em troca de míseros CINCO MIL REAIS!

Em 2008, o Musicbox Superhero foi convidado pra abrir os 2 shows do Underoath no Brasil.


Enfim, hoje em dia a dita "cena" está muito diferente de 15 anos atrás. Porém, todas as experiências que tive nesse meio, como as acima citadas e muitas outras "roubadas", me fizeram crescer muito, como músico e como pessoa.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Educação e trânsito

Um dos assuntos mais falados esta semana na internet foi a declaração que o Luis Carlos Prates, comentarista da RBS/SC, fez sobre a violência no trânsito. Resumidamente, ele justificou o grande número de acidentes automobilísticos ao fato de que hoje em dia, é muito fácil comprar um carro e que por isso, qualquer miserável os tem. Veja o vídeo na íntegra abaixo:



Agora, pergunto ao Prates: apenas os pobres se envolvem em acidentes? E os filhinhos de papai, que ainda nem completaram 18 anos mas já ganharam de presente um carro super potente?

E as escolas, as auto-escolas e principalmente, AS FAMÍLIAS, educam como as pessoas para o trânsito? Quem já tem habilitação para dirigir sabe que, as aulas da auto-escola são a MAIOR BALELA DO MUNDO. Basta ir (fisicamente) às aulas, fazer uma prova imbecil que qualquer criança faria e já colocam a pessoa pra fazer aulas práticas. E, caso bata um nervosismo na hora da prova prática, não há nada que 50 pila pro instrutor não resolva!

Mas uma que sempre me perguntei é: porque as pessoas se transformam completamente após entrarem em seus carros? E faço essa pergunta porque eu mesmo já me flagrei assim dirigindo!

Por que ficamos tão transtornados, xingamos os piores palavrões do mundo, só porque alguém cometeu uma "barbeiragem" no trânsito, que nos fizeram atrasar 10 segundos se muitas vezes nós mesmos as fazemos e esperamos a compreensão dos outros motoristas pelo nosso deslize?

Por que somos tão educados com os idosos, nossos avós... deixamos eles passarem na nossa frente na fila do supermercado ou do banco, mas não toleramos uma velhinha dirigindo cautelosamente na nossa frente, sendo que ela está dentro dos limites de velocidade?

Eu mesmo, diversas vezes no trânsito, já parei pra pensar nisso: "puts, abri a janela e xinguei o cara, só porque ele cortou minha frente pra entrar numa rua!" TÁ, E DAÍ?

No trânsito, acho que todos pensam: "Ninguém dirige bem, SÓ EU."

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Reclamar é fácil

Ontem, 15/11/10, eu e o Marc organizamos mais um evento aqui em Florianópolis, o Showrrasco. Era pra ser a estreia do Fucabala, nossa nova banda, mas apareceu outro show antes (dois, na verdade, um acústico).

Convidamos as bandas dos nossos amigos pra participar, a Bloomy e a Toda Life (que não pode tocar e foi substituída pela O Mundo Analógico).

Nós já organizamos outras dezenas de shows, sempre ouvindo os mais diversos comentários, sugestões, reclamações a respeito de tudo, desde as bandas escolhidas a qualidade da cerveja no bar.

Como nossa intenção com o Showrrasco não era lucrar e sim fazer um evento bacana para a (suposta) estreia da banda, decidimos na medida do possível atender às reivindicações ouvidas ao longo de mais de dez anos organizando eventos.

Começando pelo local. Sempre ouvi gente reclamar do Plataforma Bar pelo fato de ser longe, em Barreiros, São José. Houveram alguns eventos na Hard Trick (SC401, perto de Santo Antônio) e ouvi a mesma reclamação. Já ouvi gente falar até que o Célula (João Paulo) é longe. Lógico que dizer que determinado local é longe ou não depende de onde você mora, mas pro Showrrasco decidimos fazer na APAER (Associação dos Funcionários da Epagri) que fica no Itacorubi e, pra gente, perto da casa da grande maioria e com diferentes opções de ônibus pra ir. Além disso, o local tem estacionamento gratuito, banheiros limpos e uma área externa para "tomar um ar".

Outra reclamação do público sempre foi o preço dos ingressos. Mesmo com a média de preço da maioria das "baladas" em Floripa na faixa dos R$20/25, estipulamos o valor do ingresso antecipado em R$10 e na hora R$15, com direito a churrasco liberado. No início, pensamos em cobrar R$15 antecipado, mas decidimos deixar mais barato para estimular a galera a comprar antes, pois precisávamos do dinheiro para comprar as coisas para o churrasco (carne, pão, carvão, etc). Ou seja, o ingresso estava mais barato que a maioria das baladas em Floripa e estava o mesmo preço da maioria dos shows alternativos (underground, rotule como quiser) da cidade, com a diferença que tinha rango liberado. Os ingressos antecipados podiam ser comprados no centro de Floripa, na Roots Records, ou pessoalmente com o pessoal do Fucabala, na região da UFSC/UDESC ou ainda via depósito bancário.

Em todos os shows, sempre tem aquela galera que compra bebida no supermercado e fica na frente do local do show bebendo, pois dentro do show reclamam que a bebida é cara. Pensando nisso, liberamos a entrada no Showrrasco com sua própria bebida. O público poderia levar seu isopor cheio de gelo e cerveja pra dentro do evento. Poderíamos ter vendido bebida e lucrado com isso, mas não era nossa intenção.

Boa parte dos eventos por aqui não contavam com boa estrutura de sonorização. Contratamos uma empresa que deixou o som do evento impecável.

Pretendíamos com tudo isso fazer um evento mais descontraído, sem frescuras, totalmente "legalize", sem deixar de lado a qualidade das bandas, som, rango, local. Divulgamos intensivamente na internet e na rua, com cartazes. Entrou até na agenda cultural do Jornal do Almoço.

Sinceramente, não esperávamos que lotasse, não estávamos nem preparados por causa do churrasco. Mas jamais imaginamos que seriam menos de 30 pagantes. Não que isso tenha atrapalhado, pelo contrário... quem foi se divertiu, bebeu, comeu, dançou... tenho certeza que quem foi não se arrepende e que quem não foi perdeu... eu só fico pensando, onde foi que erramos?

Eu tenho certeza que fizemos a nossa parte, mas e A OUTRA PARTE? Vejo gente reclamando da mesmisse ou da falta de opções e quando aparece algo diferente, por que essa gente não vai? Local, preço, bebida? Dessa vez não tinha como reclamar disso! As bandas? Bom, pode até ser mas a festa não depende só das bandas... sinceramente, acho que 10% dos shows que fui aqui na cidade tinham bandas que eu gostava mesmo. Já fui em show sem nem saber quem ia tocar, por falta de opção e em muito deles, conheci bandas incríveis!

É foda tentar fazer de tudo pra agradar e só ouvir reclamações... eu mesmo já tinha desistido de organizar eventos por causa disso, resolvi organizar esse por achar que "não tinha erro" e por ser a (suposta) estreia do Fucabala. Digo mais, me espanto de ver gente aí, dando murro em ponta de faca e organizando shows, trazendo bandas de fora, mesmo com "todo mundo contra".

Agradeçam que ainda existem gente maluca pra tentar organizar eventos de rock aqui e, ao invés de criticar por criticar, apóiem, compareçam. Hoje pode não ser sua banda preferida, mas no próximo, quem sabe? Os eventos de amanhã dependem do sucesso dos de hoje. O Showrrasco era pra acontecer mais vezes, mas dificilmente se repetirá. Ninguém curte tomar prejuízo.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010